Ciclistas na Av. Paulista, no Centro de SP MARCELO D. SANTS/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO A quantidade de bicicletas elétricas e dos chamados veículos "autopropelidos" vem aumentando nas ruas de São Paulo.
Um levantamento feito pela ONG Ciclocidade, com apoio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), mostra que o número de viagens com bicicletas convencionais caiu 7% nos últimos três anos na capital. Os dados apontam uma redução de 36,5 mil para 33,75 mil viagens com bicicletas tradicionais — queda de 7,53%. Na contramão, as viagens com bicicletas motorizadas e veículos autopropelidos, como as scooters elétricas, aumentaram mais de dez vezes no mesmo período: passaram de 703 para 7.268, um crescimento de 10 vezes.
Para Mateus Humberto, professor de Engenharia de Transportes da Universidade de São Paulo (USP), a mudança pode representar um retrocesso, principalmente porque parte dos usuários desses veículos pode estar deixando o transporte público. "Eu acredito que foi um retrocesso, porque a gente está não só tirando pessoas do transporte público. A gente tem pesquisas mais fora do Brasil, na América Latina, em Bogotá, que dizem que metade desses usuários que usam os autopropelidos vêm do transporte público.
Então, mais um usuário que está saindo do transporte público, o que pode no futuro encarecer a tarifa de transporte público e fomentar mais ainda esse ciclo vicioso", afirmou. O advogado Luiz André Azevedo, que utiliza diferentes meios de transporte, defende a convivência entre bicicletas tradicionais e elétricas. "Os dois são modais que SP precisa.
O que puder fazer para escapar do trânsito está valendo", disse. Espaço para ciclistas Bicicletas elétricas e scooters ganham espaço em SP, enquanto uso de bikes tradicionais cai Reprodução/TV Globo A Ciclovia da Faria Lima é a mais movimentada da capital. Já o Largo da Batata foi, durante anos, um ponto de apoio importante para os ciclistas tradicionais.
No local, havia um espaço onde era possível aprender a andar de bicicleta, fazer reparos rápidos, como trocar o pneu, e participar de oficinas de mecânica. O serviço funcionou até 2024. Hoje, o contêiner está desativado.
"É uma pena. Precisava ter um sistema, né? Vários pontos para que a gente conseguisse andar cada vez mais", disse Victor dos Santos, engenheiro civil.
Para o estudante Guilherme Souza Ramos, também falta espaço para quem pedala. "Eu acho que falta espaço para o ciclista, sim", afirmou. A malha cicloviária da cidade também não avançou como o prometido.
A meta era chegar a mil quilômetros de ciclovias e ciclofaixas até 2024. Agora, a Prefeitura prevê atingir esse número até o fim de 2028. Atualmente, são cerca de 750 quilômetros exclusivos para bicicletas.
Regra de trânsito fica mais difícil em meio à falta de espaço Bicicletas elétricas e scooters ganham espaço em SP, enquanto uso de bikes tradicionais cai Reprodução/TV Globo Especialistas em mobilidade defendem uma espécie de regra não escrita no trânsito: a de que o maior protege o menor. Na prática, o ônibus deve cuidar do carro, que deve prestar atenção no ciclista, que, por sua vez, também deve dar preferência ao pedestre.
Mas, em uma cidade onde falta espaço para quem pedala, essa lógica pode ficar desorganizada. Um exemplo recorrente está nas Marginais Pinheiros e Tietê. As bicicletas são permitidas na pista local, mas não podem circular nas pistas central e expressa.
Na pista expressa, até as motos são proibidas. Mesmo assim, são vários os flagrantes de ciclistas pedalando entre os carros, em alta velocidade. A maioria segue em pelotões, mas também há quem se arrisque sozinho.
"É muito arriscado. Muito complicado. Muitas coisas para você ficar prestando atenção", disse Renato Bernardin, empresário.
Segundo ele, quem pratica ciclismo com bicicletas do tipo speed precisa manter um ritmo constante. "O ciclista de bike speed gosta de manter um ritmo constante. Você andar em ciclovia, você quebra muito o ritmo.
Para quem está em treino, isso é muito prejudicial", afirmou. Mortes de ciclistas aumentam Neste ano, houve aumento de 28% no número de mortes de ciclistas na capital. Foram 18 vítimas entre janeiro e julho.
Para Mateus Humberto, é preciso reduzir a velocidade e aumentar o cuidado, principalmente por parte dos usuários de veículos motorizados. "A nossa cidade precisa de mais calma. Principalmente para os motorizados, né?
Que têm que cuidar das pessoas que são o próprio chassi, né? A gente pode perder a nossa própria vida por conta desse colapso da mobilidade que a gente tem vivido, e muito com base na motorização crescente da nossa vida, né?", afirmou. A regra básica para um trânsito mais seguro, segundo os entrevistados, não depende de ser especialista em mobilidade.
"A educação e o respeito para todos ajudam no dia a dia. Tanto na ciclovia quanto no trânsito", disse Yasmin Rufino, empresária.